Este ano, o Festival de Cinema de Vitória trouxe em sua programação três mostras que abordam temáticas de segmentos sociais que ganham cada vez mais voz e representatividade política na sociedade brasileira. Mulheres, negros e a comunidade LGBT (lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais e transgêneros) foram representadas dentro das mostras temáticas do 23º Festival de Cinema de Vitória.


Na sexta-feira (22), quinto dia do Festival, aconteceu a Mostra Cinema e Negritude, que levou ao Teatro Carlos Gomes uma seleção de cinco filmes que fez o público presente reagir com aplausos ao final de cada exibição. “Cinzas”, de Larissa Fulana de Tal; “Black Out”, de Adalmir José da SIlva, Felipe Peres Calheiros, Francisco Mendes, Jocicleide Valdeci de Oliveira, Jocilene Valdeci de Oliveira, Martinho Mendes, Paulo Sano e Sérgio Santos; “Procura-se Irenice”, de Marco Escrivão e Thiago B. Mendonça; “Preto”, de Elton Almeida e “Restos”, de Renato Chagas Gaiarsa, representaram o cinema negro durante o 23º Festival de Cinema de Vitória.


Alunos da “EEEFM Maria Ortiz” e da Casa da Juventude de São Pedro lotaram o Teatro Carlos Gomes para prestigiar os filmes exibidos na sessão. O coordenador da Casa da Juventude, Josael Santos, contou que a maioria dos alunos se identificou com os filmes. “Os filmes são muitos bons, além disso, é pertinente exibir produções que remetem a consciência negra, que fazem a gente se identificar com essa realidade”.


No país que tem a segunda maior população de negros do mundo, a Mostra Cinema e Negritude, realizada pela primeira vez, teve o objetivo de apresentar diversas nuances sobre um novo imaginário da negritude brasileira.   


Diversidade sexual na telona

Também na sexta-feira (22)  o 23º Festival de Cinema de Vitória exibiu a 6ª Mostra Quatro Estações – janela exclusiva para filmes cuja temática principal é a diversidade sexual. Em sessão única,  foram exibidas produções de várias partes do Brasil que dão visibilidade às questões do público LGBT e expressam as múltiplas identidades sexuais.


Em sua 6ª edição, a Mostra Quatro Estações tratou da diversidade sexual apresentando uma seleção de filmes que buscam ir na contramão dos tempos de incertezas atuais. Dentre as obras que foram exibidas, estão: “Lightrapping”, de Márcio Miranda Perez; “Lovedoll”, de Débora Zanatta, e Estevan de La Fuente; “Cuscuz Peitinho”, de Rodrigo Sena e Julio Castro; “Para Minha Mãe”, de Wislan Esmeraldo; “Ingrid”, de Maick Hannder, e “A Vez de Matar, A Vez de Morrer”, de Giovani Barros.


Mulheres no cinema

37A Mostra Mulheres no Cinema aconteceu na tarde sábado, durante o último dia do 23º Festival de Cinema de Vitória. Em sua primeira edição, apresentou nove filmes dirigidos exclusivamente por mulheres. Os curtas tratam da construção do feminino e do papel social da mulher no mundo contemporâneo. Essa seleção apresentou produções que buscam deslocar a figura feminina do papel de objeto, ao qual ela foi conduzida por anos dentro do universo audiovisual, para dar ênfase ao protagonismo das mulheres.


Na lista dos filmes selecionados pela curadoria, estão: “Antonieta”, de Flávia Person; “Irmã de Cena”, de Gisele Bernardes; “CEP 05300”, de Adria Meira e Lygia Pereira; “Autopsia”, de Mariana Barreiros; “Mulher(es)pelhos”, de Rayza Oliveira; “Os Muros Gritam o Silêncio”, de Bresiana Saldanha e Danieli Borgoni; “Prepara!”, de Muriel Alves; “Chanson d’amour”, de Renata Prado, e “Dentro de Casa”, de Yasmin Nolasco.


Após a sessão, aconteceu um debate em torno do tema da mostra mediado por Tamyres Batista, produtora e uma das assistentes de curadoria da Mostra Mulheres no Cinema, e que contou com a presença da fotógrafa e produtora Carla Osório, da diretora e curadora da Mostra Mulheres no Cinema, Saskia Sá, e da diretora do curta “Irmã de Cena”, Gisele Bernardes.