A quarta noite do 23º Festival de Cinema de Vitória foi marcada pela homenagem a atriz paraense Dira Paes, além dos filmes que fizeram do Teatro Carlos Gomes um local de encontro de um público grande e diversificado. A noite de quinta-feira foi apresentada pelo ator Anderson Müller e pelo diretor e escritor Lobo Pasolini.

 

O público aplaudiu de pé quando Dira Paes subiu ao palco do Teatro Carlos Gomes. Mas antes, um vídeo produzido pelo Canal Brasil fez todos embarcarem numa retrospectiva na carreira da atriz paraense. Dira recebeu das mãos do pequeno Miguel Delbone Vieira o Troféu Vitória que simboliza a homenagem do Festival à trajetória da atriz no teatro, cinema e televisão. Emocionada, agradeceu: “Quero agradecer imensamente a produção do Festival por essa condecoração, porque para mim esse teatro é um templo. Ele leva o nome de um maestro paraense muito ilustre. Essa homenagem me faz relembrar a questão do tempo, porque faço 32 anos de carreira e conheço esse Festival desde que ele surgiu”, relembrou.


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Ainda bastante emocionada, continuou dizendo: “Receber uma homenagem assim me fez entender a importância de valorizar o que a gente ama, de valorizar nossas escolhas. O tempo passou e  estou aqui recebendo essa homenagem desse Festival lindo, que eu conheço desde o nascimento. Estou relembrando minha história, minha vida. O cinema é meu sangue, minha carne e meu suor”. Ainda no palco, Dira Paes também foi presenteada com uma joia criada especialmente pela designer Carla Buaiz.


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Coletiva de imprensa com a atriz Dira Paes. Da esquerda para direita, o jornalista Paulo Gois e o escritor Lobo Pasolini

 

À tarde, no Hotel Senac, Dira também participou de uma coletiva de imprensa. Na ocasião, também foi lançado o Caderno da Homenageada, publicação impressa com imagens de trabalhos da atriz e com uma extensa reportagem sobre sua trajetória artística feita pelo jornalista Paulo Gois Bastos. A coletiva também contou com a mediação do diretor e escritor Lobo Pasolini.


Com 47 anos completos no último mês de junho, a paraense Dira Paes conquistou o coração do público brasileiro com interpretações cômicas e dramáticas, emprestando sua beleza mestiça e seu carisma a personagens como a cangaceira Dadá no filme “Corisco e Dadá”, de Rosemberg Cariry, ou a ingênua e engraçada Solineuza, do seriado “A Diarista”.


Graças ao seu talento e versatilidade, já foi dirigida por importantes diretores brasileiros e construiu uma carreira diversificada que se confunde, em uma certa medida, com o chamado cinema de retomada. Dira também é mãe dois filhos e aguerrida militante dos Direitos Humanos. Seu último trabalho na TV foi interpretando a professora Beatriz na novela “Velho Chico”, produção recentemente exibida.


Curtas e longas na noite de quinta

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Gustavo Moraes, diretor da ficção “+1Brasileiro”, junto com a equipe do filme

 

Em sua quarta noite, o 23º Festival de Cinema de Vitória também apresentou uma seleção de filmes que concorrem ao Troféu-Vitória. Na terceira sessão da 20ª Mostra Competitiva Nacional de Curtas foram exibidos seis filmes. Dentre ele, o musical “+1 Brasileiro”, do capixaba Gustavo Moraes. O diretor subiu ao palco acompanhado da equipe e agradeceu ao Festival pela oportunidade. A atriz mirim Maria Júlia, que no curta faz o papel da filha, relembrou do set de filmagens: “tem uma cena do filme que foi feita aqui no teatro, e é muito legal ter gravado aqui e vir no lançamento do filme neste mesmo lugar”.


Além de “+1 Brasileiro”, foram exibidos na noite quarta noite do Festival: “Impeachment”, de Diego de Jesus; “Acho Bonito Quem Veste”, de Marcelo Coutinho; “Índios no Poder”, de Rodrigo Arajeju; “Confidente”, de Karen Akerman e Miguel Seabra Lopes; e “Kbela”, de Yasmin Thayná.

 

A penúltima sessão da 6ª Mostra Competitiva Nacional de Longas ficou por conta do documentário “Perdido em Júpiter”, do diretor baiano Deo. O filme, selecionado em 2016 para o MIMO Festival e para as mostras competitivas do 15º Recine e 12º Panorama Internacional Coisa de Cinema, faz uso da memória virtual da obra do músico gaúcho Flavio Basso – Júpiter Maçã ou Jupiter Apple ou Woody Apple. Enquanto Flávio se transmutava, em suas diversas facetas estéticas e musicais, as câmeras o acompanhavam insistentemente.


Fotos: Gustavo Louzada e Tati Hauer