A segunda noite do 23º Festival de Cinema de Vitória foi marcada pela abertura da 20ª Mostra Competitiva Nacional de Curtas-metragens. O público lotou o Teatro Carlos Gomes para prestigiar os cinco primeiros filmes exibidos na competitiva mais tradicional do festival, apresentada pelo modelo e ator Cláudio Andrade e pela jornalista e colunista Renata Rasseli. 


O curta-metragem “Demônia – Melodrama em 3 Atos”, dos paulistas Cainan Baladez e Fernanda Chicolet abriu a mostra levando boas gargalhadas ao público que, em meio a exibição, retribuiu com uma salva de palmas.


Na sequência foi a vez de “Balada Para os Mortos” preencher o telão. O diretor da ficção, Lucas Sá, esteve presente na sessão e falou sobre o curta: “Balada Para os Mortos é um filme que trata da violência em diversos níveis e instâncias. É um filme que fala um pouco da naturalização da violência, muito pertinente em um momento que estamos passando no Brasil”, ressaltou.


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Foto: Tati Hauer

O diretor capixaba Diego Zon (foto ao lado), acompanhado pela equipe, também subiu ao palco do Carlos Gomes para comentar sobre a produção “Das Águas Que Passam”. O curta-metragem, filmado na vila de Regência, no norte do Espírito Santo, tenta capturar a relação entre um pescador nativo e o mar. “A gente acompanhou o cotidiano dele e tentamos capturar a sua íntima relação com águas; tanto do rio, quanto do mar”, comenta.

Diego também relembrou: “Para quem conhece a região, sabemos que é em Regência onde deságua o Rio Doce. O curta foi construído alguns meses antes o acidente em Mariana acontecer. Acho que é um filme que fala de memória, que fala de passado. É uma história que amplifica a vida de vários pescadores que constroem suas identidades ao longo do mar e do rio. Com toda humildade eu dedico essa sessão ao rio doce”.


A 20ª Mostra Competitiva Nacional de Curtas também exibiu, na noite de terça-feira (15), os filmes: “Melancia”, do diretor pernambucano Lírio Ferreira; “Constelações”, de Maurílio Martins e “O Delírio é a Redenção dos Aflitos”, de Felipe Fernandes.

Após a sessão o público votou no curta-metragem preferido. A 20ª Mostra Competitiva Nacional de Curtas segue até a próxima sexta-feira (18), e a premiação acontece no sábado, dia 19.


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Foto: Tati Hauer

Dois longas na noite de terça

O 23º Festival de Cinema de Vitória seguiu com sua programação de terça-feira exibindo dois longas-metragens. O primeiro deles foi Guerra do Paraguay, ficção de Luiz Rosemberg Filho. Antes da exibição, a representante do filme, Carla Osório (foto ao lado), subiu ao palco para agradecer. “É uma honra exibir em Vitória uma obra do Rosemberg. É um filme especial que mostra o embate entre a poesia e a guerra”. O filme é a segunda obra em competição da 6ª Mostra Nacional de Longas, que acontece até a próxima sexta-feira (18).


Em seguida Xale, filme de estreia do diretor carioca Douglas Soares, encerrou a segunda noite do 23º Festival de Cinema de Vitória. Ora com recursos documentais, ora com cenas claramente ensaiadas, o longa-metragem retrata o esforço de um brasileiro em resgatar a memória de seus antepassados armênios, testemunhada apenas por sua avó, Araci, surpreendida por um princípio de Alzheimer. Entre essa inevitável perda de memória e a vontade de recuperar lembranças de tempos passados, a relação entre avó e neto se desenvolve na tela.


“Decidi fazer este filme para ela, como uma forma de trazer as paisagens e os sons de um passado desconhecido, tendo como linguagem a fragmentação de um cérebro frágil. Para mim, o filme funciona como um jogo para que a minha avó exercite o pouco que lhe resta das memórias”, explica o diretor do filme.